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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Olhando para Baixo

Se bem se lembram, contei aqui neste blog, do medo que depois de tantas viagens de avião ter feito, do medo com que de repente fiquei de andar lá pelos ares... É que realmente nasci sem asas, Deus não quis que eu voasse... portanto porque é que hei-de andar com asas que não me pertencem?
Pois...
Mas lá me meti eu num avião para ir â Alemanha... eu contei-vos... até postei algumas fotos da maravilhosa Floresta Negra.
Pois...
Mas para me distrair, para não me lembrar que lá nas alturas nem sequer existem oficinas para reparar alguma anomalia que se verifique, tinha de inventar qualquer coisa...
Pois...
E inventei! Peguei na minha máquina fotográfica e toca a tirar fotos durante cerca de duas horas e meia... para lá. E outras tantas no regresso... Claro, como é lógico a maior parte foi para eliminar. Mas o certo é que quase não dei pela viagem e algumas das fotos até estão jeitosas... É o caso desta, que retrata a praia da Costa da Caparica, seu areal, a marginal, pavilhões de cafés e bares e o casario
preguiçoso, com seus telhados encalorados.
Na Outra Banda, o rio Tejo que já o não é... o Atlântico já o abraçou, já o puxa com ternura para as suas águas salgadas...
Os silos sobressaem do casario de Porto Brandão, que rodeado de verde espreita o azul das águas.

Por entre as nuvens brancas e macias, lá em baixo, majestosa e comprida, quase a perder de vista, a ponte Vasco da Gama. Une as duas margens do Tejo, mas mais do que isso, é o vai-vem diário para as centenas de pessoas que dela necessitam para chegar a seus destinos...

E um pouco mais a jusante a outra ponte de Lisboa. Menos comprida, mais maneira, mas mais antiga, com rodovia e com ferrovia, é a ponte nascida com o nome de Salazar, posteriormente baptizada ponte 25 de Abril, em honra da Revolução dos Cravos (a 25 de Abril de 1974).

E heis aqui, airosa, fresca, mesmo em frente da cidade de Oeiras, bem no meio do Tejo, a Torre do Bugio, com seu farol vermelho encimando a torre de alvenaria branca. É o guardião do nosso Tejo desde os finais do ano de 1693, sentinela sempre presente através das gerações.

Belém, seus jardins, Mosteiro dos Jerónimos, Centro Cultural, Monumento dos Descobrimentos e tantas outras maravilhas que aqui se agrupam...

Sempre com o Tejo galante, namorando Lisboa...

Com o Mosteiro dos Jerónimos visto de frente e mais atrás, debaixo da asa do avião, o Estádio do Restelo onde é rei o Belenenses, clube de futebol que em Lisboa já foi grande...

E o bairro do Alvito, com sua peculiar forma, lembrando uma asa delta...

E por fim o altaneiro, velhinho e lindo Aqueduto das Águas Livres de Lisboa!

Já foi útil, hoje é como o Avô querido que Lisboa mima e exibe com orgulho a quem a visita... é o Avô que os lisboetas se habituaram a ver no seu dia a dia e que olha a todos com a sabedoria de anos...

Sempre o vi de baixo para cima... meu Deus como ele é diferente visto de cima para baixo... Mas sempre forte e poderoso...

E o avião não caiu...

E eu vi e mostro-vos a minha (a nossa) Lisboa vista do céu, de onde Deus a vê e a abençoa!...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mimi







Apresento-vos a gata Mimi. Com seus olhos verdes, brilhantes, que por um pouco quase não cabiam no devido lugar... o pelo preto, cor de ébano é macio e luzidio.

Posso dizer que é uma gatinha feliz. Mas nem sempre assim foi.

Numa noite de Julho, em que as estrelas brilhavam, em que o ar corria quente, um miado aflitivo feria os ouvidos. Mas quando na Terra foram deixados seres tão ruins, que nem o nome de Homem lhes deveria ser posto, outros andam por aí tentando desfazer o mal que, infelizmente, não pára de ser feito. E a pobre da Mimi, guiando com seus miados doloridos as mãos amigas que a haviam de salvar de cruel destino, pegada no colo com carinho, foi levada com cuidado ao veterinário. Tinha uma anca partida, teve de ser operada e depois da recuperação já corre, brinca e seus olhos já riem... Está em casa de meu filho mais velho onde é acarinhada por todos nós, de tal maneira que uma amiga minha já diz que ela tem um miado de mimo... Mas ao principio tinha medo de todos nós, escondia-se, fugia, tinha horror a que lhe pegassem ao colo... tanto mal alguém lhe fez...

Agora já corre para nós, salta para o nosso colo e adora que lhe façam festas, que lhe cocem o pescoço. Agora a Mimi é uma gatinha feliz!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Gaivotas ao Pôr do Sol

E o sol mais uma vez decidiu dizer adeus. Mais uma vez, como aliás vem sendo seu hábito desde que foi posto lá em cima. Sua obrigação tinha sido cumprida, tinha dado luz, calor e deliciado a Natureza com seus raios... portanto, decidiu descansar umas horas, para depois aparecer outra vez e cumprir seu destino. E bem devagarinho, quase sem darmos por isso, lá fez ele o que costuma fazer há milénios e milénios de séculos... mergulhou no mar, seu amigo de sempre, seu leito, seu travesseiro...

E mal começou a mergulhar, a vida ficou diferente! O areal imenso, ainda há pouco repleto de pés correndo, cabeças de grandes chapéus (que o sol queimava), braços que se agitavam em acenos e em gesticulações frenéticas, agora está deserto!


Deserto não, cheio de outras vidas. Vidas diferentes, mas vidas! As gaivotas tomaram de volta aquilo que por direito lhes pertence... o mar, a areia, os raios solares que ainda por ali se espraiavam...


E em grupo, alisando as penas, sacudindo os rabinhos, debicando aqui e ali, quem sabe falando da vida, do mundo, quiçá dos cardumes encontrados, ou das traineiras carregadas que perseguiram ao virar da tarde, as gaivotas alegram as águas calmas e dizem adeus ao sol, que cada vez se esconde mais...


E no voltear da espuma que nasce da serena ondulação, na areia ainda morna, fofa e convidativa, elas esvoaçam como que levantadas pela aragem cheia de maresia. Seu cantar que em gritos estridentes vão enchendo o areal, são um hino, talvez ao dia que acaba... quem sabe se à noite que chega!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Aurora na Portela

Foi ontem. O sono decidiu ir dar uma volta. Um olho abriu... convidou o outro para dar uma espreitadela... o outro fez-lhe a vontade... e aí está! O sono decidiu ir dar uma volta. E voltas e voltinhas dei eu na cama, sem conseguir que os malandrecos se decidissem a recolher debaixo das pálpebras, que coitadas, apesar de pesadas, continuavam bem abertas.
Antes de acordar o pobre marido e ser expulsa da cama por má vizinhança, ordenei aos dois pés que saíssem da cama, no que fui imediatamente obedecida e sendo eles seguidos pelas respectivas pernas, lá fui eu, sem barulho, pela casa fora á procura do sono. Não encontrei. Mas ao aproximar-me duma janela, dei razão aos olhos, valia a pena eles estarem abertos. Lá longe, no horizonte visível, o espectáculo era este que aqui vos deixo, para comigo saborearem a arte da Natureza, a beleza que não é possível explicar, tem de ser vista!
E depois de dar razão aos olhos, voltámos todos (eu, os pés, as pernas e claro, os olhos cujas pálpebras já se fechavam) voltámos para a cama onde, o sono devagar, sem pressas, chegou... e ficou!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

S.Pedro do Sul

É mesmo assim! Este ano tirei férias de mãe, de esposa, de dona de casa!
Estou sozinha (pobrezita), a banhos (como se dizia antigamente) nas Termas de S.Pedro do Sul. Lá vou eu todos os dias aos tratamentos... dão-me banho de cócegas... põem-me no duche... com mais cócegas e como acham pouco ainda me põem numa maca a suar...
Como se vê, com este palavreado todo, vou sair daqui fina... sem dores, sem mariquices, pronta para enfrentar o mais gelado frio, o mais quente Sol, o mais raivoso vento... até uma trovoada... ou um nevão!

E para que não pensem que isto é só "31 de boca", vejam bem a fumarada que sai desta abençoada água... e haviam era de cheirar o perfume. É de fugir, sem olhar para trás! É um perfumesinho a ovos podres que é uma delicia!

No meio disto tudo tenho feito longos passeios. A paisagem é linda. O rio Vouga,

que neste local é largo, meio esverdeado, mas com recantos lindos, dá-nos uma bela sensação de frescura nestes dias quentes de Agosto. É bom passear nas suas margens, sentar aqui e ali deixando os olhos esquecidos do livro que as mãos seguram.

O hotel onde estou é nada menos que esta casinha linda, num sítio central, o largo principal, mesmo em frente do balneário. Da janela do meu quarto, que é sobranceiro ao rio, posso ver o passeio pachorrento de grandes peixes vermelhos, que acho eu, vieram até ás termas para ver se se livram do reumático.

E como o espírito também faz parte de todos nós, não podia faltar uma simpática capelinha, que não fala a idade... É de S.Martinho e no seu interior, pequeno, acolhedor, em que a paz impera, há dezenas de bilhetinhos com pedidos de gente crente e aflita e com agradecimentos, que o povo não esquece o bem que recebe e no agradecimento vai a alma de quem pediu e foi atendido... e o agradecimento é o pagamento do pobre...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Museu das Quintas

Ainda falando e mostrando belezas que descobri na Alemanha, mais precisamente na Floresta Negra, aquele tal lugar que mais parece saído de um livro de contos...
Estas imagens que aqui vos deixo, são imagens do Museu das Quintas. O Museu das Quintas é um lugar onde foram preservadas várias casas antigas, chamadas quintas (que ainda hoje existem e onde se compram produtos hortícolas de confiança e qualidade). Mas estas quintas que se inserem no museu, são do antigamente, e foram preservadas o mais fielmente possível para que estas gerações novas, que adoram electrodomésticos e computadores, possam ver como viviam seus antepassados...

Por exemplo, os telhados dessas casas (quintas) eram executados de maneira a que a neve escorregasse naturalmente e, ao mesmo tempo fosse um bom isolante no frio do Inverno, ou no calor do Verão...

Eram primeiramente cobertos com pequenos rectângulos de madeira e por cima destes levavam camadas de palha (de trigo, centeio, aveia...) de modo a que a água ou a neve viesse por ali abaixo... em vez de entrar em casa...

No interior podemos ver um dos quartos e penduradas nas portas do armário, as vestes da época.

Ou uma sala, onde se vê ao fundo a roca e a roda de fiar o linho e á esquerda o fogão a lenha que aquecia também toda a casa.

O Museu das Quintas encantou-me, achei linda a ideia de mostrarem como eram as coisas antigamente. Vou voltar e mostrar mais coisas do Museu

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Floresta Negra II







Sejam sinceros e digam lá... viver nestes sítios não será o mesmo que viver no jardim do Paraíso?

Cada recanto com seu encanto, tantos tons de verde, as casas com suas arquitecturas originais, lindas, diferentes... só é pena não vos poder transmitir o som do barulhar das águas dos riachos (e há tantos) e o trinado dos pássaros que se escondem nas árvores... mas eu volto... tenho mais maravilhas!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Floresta Negra










Pois é!! Esqueci o medo do avião, fiz de conta que não era nada comigo e toca de ir visitar a Alemanha, mais precisamente visitar uma prima que vive lá. Lá não, cá, porque eu estou na Alemanha!!!!!!!!!!!!

Na Alemanha, mas num local lindo, na Floresta Negra. A cidade chama-se Schiltach, que como podem ver pelas fotos é um autêntico paraiso na Terra...

domingo, 1 de maio de 2011

Dia da Mãe

Neste dia, que em Portugal é dedicado ás Mães, venho oferecer ás Mulheres que no mundo inteiro são Mães e àquelas que com desgosto o não podem ser, uma singela rosa. Á minha Mãe, que já há tantos anos partiu, dou o meu Amor em oração, porque se foi santa na terra muito mais o será no Céu...
Amor para todas as Mães do mundo, agradecimento a todas as mulheres que souberem ser Mães!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Margarida, a Vaidosa

Apresento-vos a Margarida!!

É um cisne lindo, que como qualquer fêmea que se preze, é vaidosa. Adora que lhe tirem o retrato e faz pose, abre as asas mostrando toda a beleza de suas penas cor da neve...

Sente-se a rainha do lago em que vive, rodeada por vários patos e um outro cisne, qualquer deles prestando-lhe vassalagem e deixando-lhe o espaço livre para ser ela a Senhora...

Conhecia-a no fim de semana, na Casa da Ínsua, em Castelo de Penalva, Viseu.

É um sítio lindo, em que se misturam harmoniosamente o estilo francês e o inglês, numa mansão em que a História tem séculos e em que os espaços exteriores nos mostram a Natureza bem tratada e delineada com arte.

A Margarida vive no jardim francês, rodeada das mais lindas flores. E é esse o motivo porque achei que ela deveria figurar no meu blog, ao ouvir a guia que nos ia explicando todos os pormenores, contar uma história que eu achei engraçada:

quando o jardineiro, que tão bem trata destes jardins, planta uma flor, ou uma qualquer planta de que a Margarida não goste, é certo e sabido que no dia seguinte, de manhã, o pobre vegetal jaz no chão, arrancado, morto e espezinhado pela nossa amiga Margarida que tem seus gostos próprios e pelos vistos não tolera intromissões...

Mas a Margarida também é muito ciosa do seu espaço e quando alguém se aproxima um pouco mais ela investe, capaz de defender o seu lago á bicada...

Pois, porque o lago é seu reino, reino que só compartilha (por imposição), com seu amigo cisne e alguns patos que até lhe fazem falta, senão seria rainha... de quem?

sábado, 2 de abril de 2011

As Amigas Andorinhas! - Agradecimento...



E perguntam vocês, que estão fazendo o favor de lerem o que escrevinho e de olharem minhas fotos, perguntam (e muito bem) "Agradecimentos? A quem e para quê?"... Eu explico...

Agradecimentos ás amigas andorinhas, que todos os anos, sem falta, mesmo que a chuva caia e que o frio ainda aperte, nos vêm visitar trazendo consigo a Primavera... mesmo que não venha voando com elas, chega mais dia, menos dia... Elas trazem juntamente com a Primavera, as promessas de melhores dias, de Sol, alegria, cor... promessas sempre cumpridas, nunca esquecidas!

Por isso eu agradeço... pelas dádivas! Se agradecemos a quem algo nos oferece, então deveremos também agradecer a quem nos anuncia a renovação, a continuação do circulo da Vida!

Este par lindo, que me alegrou de tal maneira que logo reparei no azul do céu em que as nuvens fugiam envergonhadas, vi-as eu, na vila de Ourique, no nosso extenso Alentejo, ainda a Primavera vinha a caminho, com preguiça de correr!

sábado, 5 de março de 2011

Grandes Nabos!!!...


Pois é, ás vezes há certas pessoas a quem nos apetece chamar "grandes nabos", ou porque foram ingénuos, ou foram parvos ou porque no nosso entender deveriam ter tido uma forma diferente de agir...
Mas afinal há mesmo grandes nabos... no reino vegetal!
Estes que aqui vos mostro têm os bonitos pesos de 6 kg.um e 8 kg.o outro... o pequeno, que afinal é o único de peso normal, esqueci de pesar... e já foi comido. Os grandes não sei se já os comeram, ou não... não eram meus... vi-os quando ia pensando na vida, ao passar por um restaurante no Centro Comercial da Portela. Pois é, eu sempre disse que na Portela se vêm coisas estranhas...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Anuncio de Primavera na Portela

Com os dias quentinhos, com o sol a fazer brincadeiras com seus raios, com as saudades da Primavera...
O melhor é sair, ir para a rua. Portanto, depois de almoço, aí vai a vossa amiga de máquina fotográfica, a garrafinha da água e claro, um livro para ler...
Um livro policial (estou na onda da resolução de graves problemas policiais...)
e portanto, aí vou eu rua fora, direitinha ao nosso jardim... o Jardim Almeida Garrett.
Mal me sento, no primeiro banquinho que esteja cheio de sol, olho em volta.
Chegam as avós com os carrinhos dos netinhos (as mães trabalham e as avós passeiam... que já é tempo de descanso); chegam os velhotes e os rapazotes a passear os cães, que contentes, pulam e brincam, em hinos á liberdade.
Mas meus olhos afinal, não se deixam prender pelas confusões e complicações do meu livro policial... não!
Meus olhos preferem vaguear... e olhando para mais alto, vêem o azul lindo do céu, o brilho intenso do Sol...
E vêem (com surpresa) as árvores, com seus rebentos a saírem com coragem dos troncos fortes e cansados do longo Inverno... pequenas flores aparecendo, como que a espreitar, como que a ver como está o tempo... E eu quase lhes grito que sim, que saiam, que alegrem a vida, que festejem com a natureza a próxima chegada da Primavera, que ainda não chegou, mas que já se adivinha por entre os ramos das grandes árvores, com o Sol a sorrir-nos com malandrice...
É o anúncio da Primavera!