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quarta-feira, 15 de julho de 2009


Fonte da Telha, final do dia. O Sol ainda está alto, mas depressa irá para lá do horizonte, dar luz, calor, dar vida a povos e gentes do outro lado do Mundo.
E nós, deste lado e enquanto ele ainda nos ilumina, vamos assistir à pesca artesanal, à luta entre o Homem e o mar, à luta entre o Homem e o peixe, alimento desejado e apreciado!

O Sol reflete-se nas águas ondeantes, ele já vai baixo, vai querer fugir para lá da linha do horizonte...
A rede já está nas mãos dos pescadores, que a puxam, puxam, que o peixe verá ainda, espalhado na areia, os raios luminosos do Sol!

Vem pesada a rede. Os homens em esforço arrastam-na para a areia e aí sim, vão saber se a pesca foi boa, se valeu a pena o trabalho, se o peixe é do que dá dinheiro, ou se pelo contrário, é do que nem se vende, dá-se...

Finalmente a rede está na praia! O peixe salta (mas não de contentamento...) e as pessoas vindas de debaixo dos seus chapéus vão-se aproximando, espectadores do trabalho alheio...

Quando a rede sai do mar ela é arrastada para cima de umas lonas estendidas na areia e aí é despejada. Pescadores e suas mulheres escolhem então o peixe e separam-no conforme a espécie (sardinha, carapau, sardas, douradinhas, lulas ou até linguadinhos). Mas ele irá uma última vez ao mar, para ser lavado nas suas águas salgadas.

E aí vai ele, carregando nas mãos calejadas o peixe acabado de ser escolhido, para o lavar uma última vez no mar que o criou, que o alimentou, que lhe deu a vida... e de onde foi arrancado para satisfazer a gula dos Homens...

Depois do peixe ter sido lavado no mar para retirar o excesso de areia, ele é colocado novamente na caixa e de seguida será, ou vendido na praia, ou seguirá num dos tractores rumo à lota.

Acabado de pescar, saído do mar aos saltinhos, repousando agora nas caixas, à vista de toda a gente, até apetece levar para casa, que o jantar terá mais sabor, ainda sabendo a mar...
É o que acontece!
E aí vai ele, o fruto do mar, distribuído por sacos de plástico, pendurado nas mãos de banhistas gulosos, em direcção às brasas, que vermelhas esperam por ele...


, Chamei a este cão "Cão Pescador". Na faina da pesca há alguns pescadores que se fazem acompanhar pelos seus cães, o que é o caso deste grupo. Só que este cão é mesmo especial: ele espera ansioso a chegada das redes, ele olha para o mar atentamente (só falta pôr a pata sobre os olhos para os proteger do Sol) e quando finalmente as vislumbra, bem ao longe, ele corre atarefado em todas as direcções, ele entra no mar, ele volta e torna a fazer tudo de novo. Ele vive a chegada do peixe com uma alegria e um cuidado excepcional!! Imagino que ele deve estar convencido que sem a sua presença, sem a sua azafama, o peixe nunca chegaria ao areal.
Felicidades "Cão Pescador", que vás à pesca muitos anos, sempre igual ao que és agora!

A sardinha vai na rede descuidada

Vai encher o galeão

Ela é fresca, prateada,

Aos saltinhos pelo chão...

Assim se canta o vira da Nazaré. Mas não foi na Nazaré que eu assisti a este espectáculo, foi bem mais perto de Lisboa, na Fonte da Telha. Além de ser uma praia escolhida por muitos banhistas, surfistas e por gente que gosta do mar só pelo prazer de o olhar, também é terra de pescadores, de homens sofridos e gastos pelo sal, batidos pelos ventos e queimados pelo Sol. E mesmo no Verão, quando as beldades se passeiam pela praia ou torram no areal, estes homens puxam seus barcos com a ajuda de tractores, abrem suas redes e mesmo ali, debaixo de todos os olhos, eles vendem o peixe saltitante, sustento de sua família...